terça-feira, 20 de setembro de 2011

ANA PIMENTEL



Nasceu em Ermesinde em 1965



Estudos      

Licenciatura em Artes Plásticas | Pintura da Escola superior de  Belas Artes do Porto.
Curso de Litografia da Cooperativa Árvore do Porto.


Vive e trabalha no Porto


" ESTA BELEZA EXISTE "

Hinos de Vida é assim que se caracteriza a obra de Ana Pimentel. A artista reúne na sua obra uma complexidade de culturas e memórias, lugares, cheiros, cores e vivências de um passado remoto mas intemporal. Numa harmoniosa e impactante homenagem à vida Ana Pimentel utiliza uma linguagem de sinais e formas geométricas referenciadas na cultura tradicional Portuguesa ( arquitectura, festividades, folclore, ornamentos, rosáceas, mosaico, bordados, flores, rendas…  ) bem como símbolos associados à paz, harmonia e felicidade ou mesmo ao erotismo e amor.

O objectivo, é aproximar e fundir formas e espaços, numa pintura que se acumula através de camadas de tinta acrílica com efeitos de calor e luz, utilizando vários e diferentes materiais do uso recorrente, tecidos, fios, texturas e padrões interligando-os, recortando-os, repetindo-os ou sobrepondo-os de forma  a impregnar a sua obra de uma peculiar e impactante alegria, paixão, amor e vida! Estas composições coloridas intensas e brilhantes são trabalhadas segundo uma determinada organização espacial e mediante um sentido intuitivo pensado, e cuidadoso processo de trabalho.

ÂNGELA COSTA



Nasceu na ilha da Madeira em 1930

Estudos      

Licenciada pela ESBAL onde foi aluna em Gravura dos professores Teixeira Lopes e Matilde Marçal.


Vive e trabalha na ilha da Madeira

Recordação de infância
Uma das minhas recordações de infância são os bordados. O meu pai tinha uma Casa de Bordados. Aí fazia-se tudo menos bordar: Lavava-se as diversas peças, recortava-se as partes bordadas, engomava-se com ferros de engomar a gasolina e que faziam muito barulho. O que eu via trabalhar era principalmente toalhas. Soube que essas toalhas eram bordadas no campo, nos quintais e nos alpendres, depois vinham já prontas.
Quando eu era pequenina tudo isto era um entretenimento para mim. Passava horas a observar todas essas operações.
Também gostava muito de conversar com as operárias e de assistir ao almoço delas. Levavam o almoço numa malinha de vime ou num cestinho.

A maior parte das vezes comiam milho cozido com cebola picada ou com café preto.  Eu achava esquisito elas comerem sempre isso e não percebia muito bem se elas comiam isso porque gostavam ou porque não tinham outra coisa.
E agora?

Agora, os bordados da Madeira acho que são mesmo uma recordação de infância. Talvez por isso me apeteceu brincar com desenhos de toalhas…
                                                                                                       Ângela Costa

JOÃO LEONARDO



Nasceu em 1974 em Odemira

 Estudos     

Masters Programme in Fine Art / Malmö Art Academy – Lund University Malmö,Suécia em 2007 / 2009.
Programa de Estudos Independentes  / Maumaus – Escola de Artes Visuais Lisboa, Portugal em 2002 / 2005.
Advanced Diploma in Graphic Design  / Billy Blue College of Design / Sydney, Austrália em 1999 / 2001.
Licenciatura em História da Arte  / FCSH – Universidade Nova de Lisboa Portugal em 1992 / 1996.

 Vive e trabalha em Lisboa e Malmo.

O processo de trabalho actual de João Leonardo parte de uma sistemática recolha de resíduos, neste caso específico, de beatas de cigarros. Este material é depois organizado em colagens e esculturas que reflectem sobre a fragilidade da vida humana. Na peça apresentada no projecto Lonarte apresenta-se uma secção de um desenho de uma caveira. A caveira enquanto símbolo da morte é uma imagem recorrente da história da arte, mas o artista sublinha que a mesma imagem pode ser entendida como um símbolo de renovação e regeneração: de facto do ponto de vista da biologia os ossos são complexas estruturas celulares que se renovam e regeneram completamente em cada 7 anos.

MARSHALL WEBER


Nasceu em 1960 em Syosset (Nova Iorque)

Estudos 
     
MFA San Francisco Art Institute -  1983
BFA  san Francisco Art Institute - 1981

Vive e trabalha em Brooklyn, Nova Iorque

Marshall Weber, desde sempre esteve envolvido no movimento Pró-Paz. Em 1968, aos oito anos, assistiu ao “Vietnam Moratorium”  uma marcha que teve lugar em Hartford, Connecticut.

A partir daí tem participado em inúmeras manifestações, ajudando a organizar  projectos, campanhas, protestos e intervenções a favor da Paz. Confessa-se particularmente impressionado com a participação dos ex-combatentes de guerra, que considera essenciais no movimento Pró-paz, pois os soldados são, tal como os civis, vítimas da máquina de guerra.

Ao longo dos últimos anos Marshall Weber tem tido um grande trabalho de apoio a membros dos IVAW - Iraq Veterans Against War (Veteranos do Iraque Contra a Guerra) na sua luta contra as práticas brutais protagonizadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

A imagem apresentada "Toy Soldier" (Soldado de Brinquedo) foi desenvolvida para o portfolio "War is Trauma" (A Guerra é trauma). Esta resulta da primeira colaboração internacional entre Booklyn, Justseeds e IVAW. Contará com gravuras de 30 artistas muma tiragem de 130 exemplares que serão utilizados para educar as comunidades à cerca das péssimas condições de saúde mental de muitos soldados e dos limitados recursos destinados a tratamento de problemas de saúde mental dentro das forças armadas americanas.

Este projecto revela também a cumplicidade entre os serviços militares dos EUA e a indústria farmacêutica na exploração de soldados doentes. Esta ligação é crucial pois um aspecto importante do movimento Pró-Paz é lutar para que todos tenham acesso a cuidados de saúde. 



PATRÍCIA SUMARES


Nasceu em 1969, no Jardim do Mar

Estudos        
Licenciatura em artes Plásticas | Escultura pelo ISAD – Instituto Superior de Arte e Design da Madeira

Vive e trabalha na Calheta.

(...)Há um lugar no mundo que se designa «jardim do mar». Versões futuristas apontam os oceanos como solução viável no confronto de reduto da Terra. 
Os trabalhos de Patrícia Sumares, ramificam-se num pressuposto multiplicador que redimensiona O OLHAR de quem os observa. A artista «desenha», compõe, molda o essencial da natureza circundante, transportando-nos num semblante de permanência, como se de uma matriz se tratasse, um desocultar.
A seriação estrutura o espaço, reorganiza os seus projectos, cuja mensagem se degladia com um dizer particular da própria vida da autora. Os rostos, linguagem comum de trabalhos mais recentes, não identificam alguém em particular, mas comungam de um gene familiar ao qual nos vamos habituando. São personagens de lugar nenhum, vivos através da memória de um sítio que nos ultrapassa. Figuras humanas «justapõem-se» numa organização formal que dá lugar à instalação ou a um volume escultórico. Patrícia Sumares demarca-se, pela componente da escultura, vertida numa identidade de lugar, personalizada de cunho relevante. O espaço expositivo, a ela pertence – a artista – e é reformulado, pelas obras, servindo de indicador/mapa de uma mensagem interna que a mesma «partilha». Em menor número, encontramos as mulheres no domínio da escultura e, talvez por isso mesmo, Patrícia Sumares assimila, nos seus objectos, uma conduta da natureza enquanto Mãe-Terra, compressão ou amálgama do corpo/ilha. A arte em P. Sumares, refaz-se numa narrativa em crescendo, motivada pela condição reprodutora. Na auscultação acesa dos dias, a autora sulca candura ou cansaço, sinais ou ritos, «tatuados» pelo avesso dos trabalhos que descrevem a atmosfera que nos cerca. O feminino, permanece na memória de quem toca e vê as peças da artista, tornando-as lugares de incitação à fala.
                                                                     Paulo Sérgio BEJu, Abril 2011

GRAÇA MORAIS



Nasceu em Vieiro, Trás-os-Montes, em 1948. 

Concluiu o Curso de Pintura na Escola Superior de Belas-Artes no Porto em 1971. Entre os anos de 1976 a 79 vive em Paris, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Actualmente reside e tem o seu atelier em Lisboa. Desde 1974 até 2011 realiza e participa numa centena de exposições individuais e colectivas, dentro e fora do País.

Em 2008 foi inaugurado o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais em Bragança, da autoria do arquitecto Souto Moura com uma exposição de obras da Artista representativas das séries entre 1982 e 2005. Ciclicamente são renovadas as exposições nas salas destinadas à sua obra.

Graça Morais está representada em várias colecções privadas e públicas: Assembleia da República, Millennium BCP, Banco Espírito Santo, Banco Português de Negócios, Culturgest, Fundação Mário Soares, Cooperativa Árvore, Fundação Luso-Americana, Caixa Geral de Depósitos, Caixa de Crédito Agrícola de Bragança, Ministério da Cultura – Museu de Serralves, Ministério das Finanças, Museu de Angra do Heroísmo, Museu Municipal de Vila Flor, Museu Abade Baçal de Bragança, Museu Anastácio Gonçalves em Lisboa, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil, C.A.M. – Fundação Calouste Gulbenkian, Colecção da Fundação Paço D’Arcos, Colecção Manuel de Brito, Colecção do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais.

Ilustrou e colaborou com poetas e escritores, como: Agustina Bessa-Luís; José Saramago; Miguel Torga; Sophia de Mello Breyner Andresen; Pedro Tamen; António Alçada Baptista; Manuel António Pina; Nuno Júdice; Clara Pinto Correia; José Fernandes Fafe; António Osório; Ana Marques Gasta; José Carlos de Vasconcelos, entre outros.



CALEB DUARTE & MIA EVE ROLLOW



Cleb Duarte nasceu no México em 1977

Mia Eve Rollow nasceu em Chicago em 1984


Caleb Duarte y Mia Eva Rollow  conheceram-se em 2008 enquanto estudavam no Art Instituto de Chicago. Após o seu primeiro semestre estudando, Rollow sofreu um acidente de automóvel ficando paralitica da cintura para baixo, regressando novamente aos seus estudos após sete meses de recuperação.
Com esta nova realidade, Rollow começou a explorar um novo comportamento resultado da mesma, colocando de parte as barreiras impostas entre a arte e a vida, o que rápidamente levou a criar tendo como base o corpo com objecto escultural, levando suas acções para espaços públicos e privados.

Por outro lado o trabalho de Caleb Duarte resulta da exploração de ideias sobre a problemática da imigração global, do corpo em relação à arquitectura e das ideias e ilusões sobre o conceito de casa.
Estas perfomances escultóricas foram levadas a cabo nas Honduras e Chiapas México, com crianças trabalhadoras que vivem no centro da cidade do México e com as povoações recentes de imigrantes que actualmente vivem no estdo da California.

A obra apresentada para o Lonarte 11 da autoria de  Rollow e de Caleb Duarte resulta da criação de uma série de dez acções que desenrolam nos desertos da California nos Estados Unidos e no Norte América. Os temas abordados  relaconam-se com a migração, com a mobilidade física e social e com os movimentos primários dos animais feridos.

Mia explora também os poderes que estão por de trás  da entrega, da vulnerabilidade e da aceiptação, enquanto se move através de uma nova vida sentindo uma maior atracção gravaticional em relação ao centro da terra.

MIGUEL PALMA


Nasceu em 1964, Lisboa

Vive e trabalha em Lisboa.

Desenvolve projectos artísticos em vários formatos e áreas desde 1989 e as suas peças exploram assuntos relacionados com o desenvolvimento tecnológico desenfriado, propondo caminhos (irónicos e) alternativos para esta necessidade de "novo".

Estas abordagens são frequentemente relacionadas com áreas tão díspares, tais como: a ecologia, a fé nas imagens,  a ideia de poder, o universo infanto-juvenil, a obsessão pela máquina.
A sua obra estende-se em desenho, escultura, instalações multimédia, vídeo, livros de artista e performance.

Das muitas exposições realizadas, destacam-se : (PT) Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Berardo, Culturgest, Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado - Lisboa; Museu Serralves - Porto; (UK) Bloomberg Space - London; (USA) Prospect.1 – Bienal de New Orleans; Location One, ISE Foundation - New York; Faulconer Gallery - Iowa; (LUX) MUDAM - Luxemburg; (ES) Museu Pateo Herreriano, Centro 2 de Mayo - Madrid, Laboral - Gijón; e (FR)Villa Arson - Nice.

Miguel Palma já foi artista residente na Location One-NY, USA; ISCP-NY, USA; Headlands - Center for the Arts-CA, USA e Montalvo Art Center, San Jose, California - Bienal Zero 1. 
Actualmente, Miguel Palma é representado pela Galeria Nicholas Robinson em Nova Iorque e apresenta uma exposição antológica no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

ANTÓNIO RODRIGUES


Nasceu no Funchal, ilha da Madeira


Estudos   


Licenciatura em Artes Plásticas | Escultura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa - 1977.
Douturando em Estudos de Arte na Universidade da Madeira 2004/2009.

Vive e trabalha na Madeira

Redesenho reenquadrado. feltro s/ papel. 2011
(referente: auto-retrato. caneta permanente s/papel. 1974)

Considero-me uma pessoa que tenta ser o mais simples possível e deixar que a vida lhe traga os problemas que ele vai tentar resolver se puder, mais nada.

Provavelmente todos nós nascemos com igual possibilidade de criar, só que muitas vezes não acertamos no campo em que poderíamos triunfar, ou a vida de uns põe condições que não permitem de nenhuma maneira que a nossa poesia se afirme.


 (in, Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva, Paulo Neves da Silva, Casa das Letras, 2009)

POJUCAN


Nasceu em Natal - Brasil


Vive e trabalha no Rio de Janeiro



Pojucan morou parte da sua vida no Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma ampla carreira nas artes Visuais.Ilustrador, designer gráfico, cenógrafo, videodesigner.

Trabalhou durante vinte anos em televisão, desenvolvendo projectos de animação e identidade visual. Como designer gráfico, criou mais de duzentas capas de discos e foi indicado ao Prémio Sharp de Música pelo projecto gráfico de uma das suas capas.

Trabalhou nos jornais O Globo e Jornal do Brasil como ilustrador e articulista visual. Foi o criador da imagem gráfica do colunista Tutty Vasques e ainda hoje colabora como jornalista ilustrando sua coluna dominical no jornal O Estado de S. Paulo. Recebeu o prémio Abril de Jornalismo na categoria ilustração editorial para revista.

Lecionou na Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro ( PUC – Rio) e na Escola Superior de Design Digital.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realizou uma retrospectiva do seu trabalho gráfico.

domingo, 28 de agosto de 2011

FERNANDO AGUIAR


Nasceu em 1956 – Lisboa, Portugal

Estudos

Licenciado em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
Doutorando em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Vive e trabalha em Lisboa.

Fernando Aguiar desenvolve, levando ao seu extremo, a tentativa de transversalidade que instaura a poesia visual. Este artista procura articular as diversas disciplinas artísticas, que ele utiliza, de modo a constituir uma obra de referencialidades e relacionamentos variáveis.

Talvez não seja apropriado utilizar o termo corpo para a obra deste artista, uma vez que a diversidade de técnicas e médiuns empregues na sua constituição, invalida qualquer relação de carácter antropomórfico como também qualquer possibilidade de a assemelhar a um simples corpo textual. O modo como se estende e se produz a obra de Fernando Aguiar faz-nos identificá-la com uma rede. É nessa rede que se processam continuamente os reenvios dos momentos de enunciação que tiveram lugar nas performances realizadas pelo artista.

Deste modo, parece mais pertinente identificar as pinturas, os livros e as acções poéticas deste artista, como elementos constituintes de uma extensa rede em que não há nem saídas nem entradas previamente estabelecidas. O que há é simplesmente um constante jogo de relações de intensidade que provocam diferenças de potencial entre esses elementos, permitindo assim, o continuo fluir das imagens, das mensagens. Em última instância, na obra de Fernando Aguiar existe a vontade de um autor em procurar expandir os domínios e acessibilidades dessa rede na finalidade de integrar cada vez mais o maior número possível de participantes, e paralelamente existe também, a secreta esperança de reconhecer-se num qualquer estremecimento provocado pela intensidade dessas comunicações.

Augusto Carvacho in “Dinâmicas a partir do Inevitável”,
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ANTÓNIO BARROS


Nasceu em 1953 –  Funchal, Ilha da Madeira
Estudou                   
Facultat de Belles Arts, Universitat de Barcelona 
Universidade de Coimbra
Vive e trabalha em Coimbra
[ Obgestos ] • Segmento: 2.3
Em “Artistas Portugueses na Colecção da Fundação de Serralves” é o director do Museu, João Fernandes, quem enuncia: “António Barros é dos nomes relevantes do contexto da poesia experimental e das artes performativas em Portugal. A obra de António Barros objectualiza e espacializa o texto, explorando novas polissemias originadas pelo cruzamento da textualidade com uma visualidade iconoclasta e irreverente”.

De sensibilidade fluxista, a sua obra convoca não só uma arte de situação debordeana como ainda a Escultura Social de Joseph Beuys, tendo também trabalhado com Wolf Vostell no Vostell Fluxus Zug, Das Mobile Museum Kunst Akademie em Leverkusen.

Se as suas artitudes convocam o situacionismo de Guy Debord ao visitar a poésie directe francesa, Lawrence Ferlinghetti, pioneiro do Movimento da Beat Generation para a poesia - quando destaca a obra performativa “Revolução” em Cogolin, 1986 -, e Julien Blaine-ao publicar “TrAdição” e “Escravos” na revista Doc(k)s -, são quem primeiro internacionaliza a arte de António Barros.

Esta última atitude em objecto-texto, é a que em 1984 um júri-integrando Sophia de Mello Breyner Andresen, David Mourão Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, José Carlos de Vasconcelos, Maria Velho da Costa e Manuel Alegre –, destacou no Concurso Nacional de Poesia 10 Anos do 25 de Abril, resultando este texto num elemento identitário do seu percurso “Visualista” - onde o objecto e a palavra sinergicamente se insinuam.

A resiliência com que sinaliza os seus gestos de escrita [progestos], leva-o ainda à territorialidade do objecto escultural, vindo a criar, e para além dos seus múltiplos environments como “Algias, NostAlgias” e “Amant Alterna Camenae”, o Prémio de Estudos Fílmicos Universidade de Coimbra, com que foram laureados Alain Resnais, Manuel Oliveira e João Bénard da Costa.

ANTÓNIO NELOS


Nasceu na Madeira em 20 de Outubro de 1949


Estudos       
Bacharelato em Artes Plásticas e Design no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira
Licenciatura em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Estudos de serigrafia e design gráfico em Bruxelas.

Vive e trabalha em Setúbal

O “projecto” que apresento insere – se numa área de trabalho que tenho desenvolvido desde os anos 80, a electrografia.
Tem como ponto de partida, a recolha e selecção de imagens recolhidas de jornais e revistas e seu tratamento e transformação através da fotocopiadora.
As imagens são submetidas a uma série de operações e manipulações que as transfiguram. A intervenção da máquina participa dessa transfiguração e aí há sempre qualquer coisa que nos ultrapassa e nos conduz a territórios desconhecidos e fascinantes.


Na obra que apresento há uma sobreposição de elementos mecânicos com elementos orgânicos e também linguísticos. O elemento orgânico em destaque é o corpo humano, dilacerado pelas contingências do tempo. Mas é apenas um fragmento, de uma realidade maior e terrível.
Como diria o meu amigo relojoeiro “as horas todas ferem, a última mata”

SILVESTRE PESTANA


Nasceu em 1949 –  Funchal, Ilha da Madeira
Estudou                


Licenciatura em Artes Gráficas e Design pela E.S.B.A.P 1980 Pós – Graduate in arts and Design Education pela De Montford University | Leicester, England 1996.
Master in Arts – Art and Design Education pela De Montford University | Leicester, England 1998.
Vive e trabalha em Coimbra



Reflexão do artista:

Nas sociedades formatas pelos meios de informação global “a realidade” apresenta-se como uma ficção sofisticada de emoções fabricadas que são apresentadas ao grande público como últimas e incontestadas soluções.

Cabe ao artista enquanto cidadão refrear esse narcisismo apocalíptico de permanentes desgraças anunciadas e em seu lugar falar sempre de uma realidade “outra” que ultrapasse o poder esmagador do programa oficial ficcionado.


Silvestre Pestana

XAVIER TAVERA


Nasceu em 1971 –  México
 Estudou: 
MN Photography no Minneapolis Colege of Art and Design 1997|98
Law School, Universidad Autónoma Metropolitana, México 1993 | 96        

Vive e trabalha no México


Instruções para quem observa a lona

Olhe para cima e veja com os pés bem postos no chão os equilibristas a deslizar na corda. Você sentirá um estranho vazio no estômago que pode ser destruído olhando para o chão. Olhe novamente para cima, lembre-se que entre seus olhos e os equilibristas há um abismo. 

Pense no vento que acaricia os equilibristas no seu caminho de volta sem poder entornar o copo de vidro. Veja como cada passo que dão para a frente aproximam-se mais do outro lado e os distanciam do ponto de partida. Sentirá que talvez seja um pouco de tonturas, porque olhando para cima, não é possível ver o chão por onde eles andam. Elimina a vertigem olhando novamente para a corda que os sustenta . 

Sinta o seu peso distribuído nas solas dos seus pés e imagine o peso dos acrobatas num cabo estreito. Assim como você compartilha os efeitos da gravidade com o resto do mundo, também compartilham da mesma fraqueza sentida pelos andadores suspensos no ar. Respire profundamente, ao caminhar pense sempre no apoio do chão em cada passo que dê e lembre-se, mais que voar, o equilibrista anda pelo ar.


Xavier Tavera

ANA VIDIGAL


Nasceu em Lisboa, em 1960.


Estudos                

Curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1984.
Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian (1985/1987)
Estágio de Gravura em Metal com Bartolomeu Cid, Casa das Artes de Tavira (1989).

 Vive e trabalha em Lisboa.

“O modo como Vidigal lida com o ornamento e o decorativo – papéis de embrulho, padrões múltiplos e variados – é subtilmente cáustico. Equaciona os padrões oriundos das mais banais funções – florinhas, bonecos, papéis de parede, moldes de revista de costura – com o vocabulário modernista e abstracto-geométrico. “

“Sem nunca ser ostensiva ou propagandística mas sempre lúdica, por vezes marota, a obra de Vidigal é atravessada pela crítica social e de costumes à sociedade portuguesa: uma espécie de retrato iconográfico dos últimos trinta anos de uma jovem democracia ainda atravessada por muitos anacronismos, moralismos e assimetrias. Não o faz através de dispositivos como o documentário, a entrevista, o depoimento ou os documentos históricos, mas antes por um vocabulário artístico constituído a partir das imagens com que crescemos, dos livros infantis à banda desenhada – os primeiros veículos de concepções do mundo e da sociedade que nos enformam e formam.”

“Estamos então perante alguém que «arruma» a história por cores e imagens, e não por datas e factos, que entrelaça a chamada alta e baixa cultura, o suave com o duro, o imediato com o complexo, o plano pessoal com o social e político (…)”

Isabel Carlos
 in catálogo da exposição Menina Limpa Menina Suja,
CAM, Fundação Calouste Gulbenkian 
Julho - Setembro 2010